O jogo das nossas vidas

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O jogo das nossas vidas

Era dia dos namorados.
Eu não tinha namorada, mas mesmo que tivesse. Naquele dia só existiam olhos para um evento.
E em cidades do interior era assim: caravana.
Como a cidade era pequena, a caravana também era.
Uma kombi branca, bem detonada, me levaria para um dia que ficaria pra sempre na memória.
Pra falar a verdade, os anos anteriores e a derrota na primeira partida deixou a torcida bem preocupada.
Foto: Reprodução/Internet
Só um palmeirense na kombi. Até o motorista era corintiano.
Fui o último a adquirir o ingresso, de um adversário amigo que teve um contratempo.
Adivinha onde sobrou o lugar ?
- "Lugar de porco é no chiqueiro !", bradavam os corintianos, com aquela certeza de que seria mais um dia de tristeza de um adolescente que nunca gritara "é campeão".
Lá fui eu sentado em cima do motor da kombi por longos cem quilômetros que separavam minha cidade do Cícero Pompeu de Toledo.
Meu ingresso era de numerada, e embora naqueles tempos a numerada do Morumbi era uma zona mista, naquele sábado frio uma maioria esmagadora de corintianos a ocupavam. Ouso dizer que não éramos nem trinta por cento torcendo pelo Palmeiras no estádio. Ironia do destino, não pude gritar é campeão dentro do Morumbi naquele dia, e quando chorei no gol de pênalti do Evair, ainda fui "consolado" por um corintiano desconhecido que entendera minha "tristeza".
Passados mais de vinte e cinco anos, detalhes desse dia estão muito vivos na minha já cansada memória. Pouquíssimas coisas lembro da década de noventa. Até quiseram, na volta, me oferecer um bom lugar na kombi, mas "Lugar de porco é no chiqueiro !". Voltei feliz pra casa sobre o motor quente naquele inverno de 12 de junho de 1993.
Nunca consegui traduzir em palavras, para meu filho palmeirense, o que senti naquele dia. 
Mas eis que uma oportunidade aparece.
Joguem por ele. Joguem por mim. Joguem por nós. Joguem pela nossa história.
Foi o jogo da minha vida. Era Palmeiras e Corinthians. Era final de Paulistão...

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